terça-feira, 11 de agosto de 2015

Síndrome de Pica






A alotriofagia, também conhecida como Síndrome
de Pica caracteriza-se por 
desejo por comer terra, carvão, sangue, vidro, cabelo, pedras...







 Alotriofagia


A alotriofagia, também conhecida como Síndrome de Pica, é uma rara condição dos seres humanos, e se caracteriza por um apetite por substâncias não nutritivas, como terra, carvão ou tecidos. 

Para ser considerado um caso de alotriofagia, essa condição deve persistir por mais de um mês, em uma idade em que comer certos objetos seja considerado mentalmente inapropriado. 

Existem diferentes cariações da alotriofagia, que podem ser desde uma mera tradição cultural, um gosto particular ou um mecanismo neurológico que indica a deficiência de elementos, como ferro, ou algum outro desequilíbrio no organismo.

O termo "pica" vem da palavra em latim para o pássaro pega-rabuda (também conhecido como pica pica). Esse é um pássaro conhecido por comer praticamente tudo. No sul dos Estados Unidos, nos anos 1800, a geofagia era uma prática comum entre a população escrava. Pesquisas sobre distúrbios alimentares no século XVI sugeriam que a alotriofagia era considerada um sintoma de outra condição clínica, ao invés de ser a própria condição clínica.

Essa condição pode facilmente levar crianças à intoxicação, que pode resultar em importantes prejuízos no desenvolvimento físico e mental. Além disso, essa situação pode resultar em cirurgias emergenciais, devido à obstrução intestinal, além de sintomas mais sutis como deficiências nutricionais e casos de parasitoses. A alotriofagia tem sido constantemente associada a problemas mental que muitas vezes tenham consequências psicóticas. Desencadeadores de estresse, como a orfandade, severos problemas familiares, negligência dos pais, gravidez ligada à insuficiência de nutrientes e uma estrutura familiar transtornada estão fortemente ligados alotriofagia.

A alotriofagia possui subdivisões para cada tipo de material consumido pelo indivíduo, as condições mais conhecidas são:


  • Amilofagia: consumo excessivo de amido;
  • Acufagia: consumo de objetos pontiagudos;
  • Coprofagia: consumo de fezes;
  • Emetofagia: consumo de vômito;
  • Geofagia: consumo de terra;
  • Hematofagia: consumo de sangue;
  • Hialofagia: consumo de vidro;
  • Lithofagia: comer pedras;
  • Trichofagia: comer cabelo;
  • Urofagia: ingerir urina;
  • Xilofagia: comer madeira.

Algumas outras situações famosas estão as de ingerir tinta, e até o canibalismo
Deve-se notar, que a condição só deve ser tratada como alotriofagia, se o consumo desses materiais se prolongar por mais de um mês. Entretanto, não há um exame específico que possa diagnosticar a alotriofagia. Como essa condição, em muitas vezes dos casos, pode ser associada à má ou baixa nutrição, o médico, ou outro prestador do serviço de saúde, deve fazer exames de sangue, para conferir os níveis de ferro e zinco do paciente. Deve-se, também, realizar medições da hemoglobina, para testes de anemia. Por precaução, as crianças precisam checar os níveis de chumbo, principalmente se ingeriram tinta, ou materiais cobertos por tinta. O médico também deve procurar indícios de infecções ou parasitas, caso o paciente tenha ingerido solo contaminado, ou restos de animais. 

Em indivíduos com diagnósticos confirmados de autismo, esquizofrenia, e alguns tipos de desordens físicas, como a Síndrome de Kleine-Levin, substâncias estranhas e não nutritivas podem ser consumidas, mas nesses casos, a alotriofagia não deve ser considerada como um diagnóstico adicional.

O tratamento da alotriofagia pode variar de paciente para paciente, principalmente por que deve-se levar em contra a causa suspeita, como deficientes mentais, grávidas ou psicóticos, e pode ser relacionado a tratamentos psicológicos, mudanças ambientais, reestruturação familiar, ou um simples tratamento com suplementos vitamínicos e mudanças na dieta. Se a causa for psicótica, o tratamento envolverá terapias e o uso de medicamentos como o SSRI (inibidor seletivo de recaptação de serotonina).

Fonte: InfoEscola
Por: Por Gabriella Porto

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